Coreia do Norte: a corrida nuclear

Escrito por Jean-Baptiste Roncari Traduzido por João Lucas Pires
14 Février 2015


Imagens de satélite sugerem que a Coreia do Norte teria reativado o reator principal do complexo nuclear de Yongbyon, situado ao norte da capital. Com este arsenal o estado totalitário seria capaz de produzir 6kg de plutônio por ano, o suficiente para desenvolver uma bomba nuclear.


Archives/Ed Jones/AFP
O complexo de Yongbyon é especializado em pesquisas nucleares. Ele se distingue em dez setores de atividade que vão do instituto de radio-proteção ao de pesquisa de energia nuclear, contando também com um laboratório de radio-química. Neste grande complexo, o reator de 5 megawatts é a principal fonte de plutônio. Sendo o mesmo reator que havia sido desligado devido a vários acordos internacionais, e que ao que tudo indica, foi reativado há algum tempo. As imagens de satélite tendem a confirmar o que a Agência Internacional de Energia Atômica já havia observado no final de agosto de 2013. As suspeitas da retomada de atividades se deram devido à emissão de vapor e descargas de água para resfriamento.

Apesar dos avisos por parte da comunidade internacional, o presidente Kim Jong-un parece não conter os avanços nucleares de seu país. O reator já o havia permitido realizar testes nucleares em outubro de 2006, maio de 2009 e fevereiro de 2013. A retomada da atividade do reator, apesar de acordos passados, o permite produzir uma quantidade bastante significativa de plutônio nos próximos anos.

Uma Coreia do Norte ainda mais marginalizada com as atividades nucleares

No entanto, no início deste ano, o país se dizia disposto a rever as suas intenções nucleares, com a única condição de que os Estados Unidos cessem suas tradicionais manobras militares anuais em território sul-coreano. Esta condição não é nova, mas a falta de confiança entre os dois países pode explicar o status da situação. A Coreia do Sul e os Estados Unidos afirmam que a realização de exercícios militares têm um valor defensivo, para evitar uma possível agressão norte-coreana. Podemos então nos questionar se a reativação do reator não é fruto das tensões entre os países ou se é apenas mais uma forma de pressão. 

De qualquer forma, a Coréia do Norte tem sido desde muito tempo um país marginalizado. Sendo o mais fechado do mundo, e também o único a ter se retirado em 2003, do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP). Os países que assinaram o tratado, (quase todos os países do mundo), se comprometem a não ajudar outros países a adquirir armas nucleares se os mesmos já as possuem ou a não ajudar em pesquisas nucleares, caso ainda não as possuam. E é claro que a Coreia do Norte vê este acordo como um obstáculo entre seus interesses e o desejo de ter esta arma dissuasiva ao seu dispor. Além disso, o país tem que responder às sanções da ONU por violação das advertências da comunidade internacional contra testes de armas atômicas, para adquirir um arsenal nuclear.

Qual é o poder da ameaça?

Crédit Reuters
Qual é então o poder nuclear atual na Coreia do Norte? A reativação do reator está dentro da lógica dos três testes nucleares realizados. Isso porém, nada mais é do que a parte visível do iceberg, pois o país ainda é muito fechado, o que torna difícil a tarefa de obter informações confiáveis. Deste modo, em 17 de maio de 2013, um relatório militar de Yonhap corrigiu as estimativas que se tinha sobre o número de mísseis que o país dispunha. Estimava-se 94 mísseis de curto alcance, quando na verdade o número exato era de 150. É com o mesmo cuidado que devemos considerar as estimativas de que dispomos sobre o poder nuclear norte-coreano. O complexo nuclear de Yongbyon, fechado desde 2007 e tecnicamente parado desde 2008, após a destruição das torres de resfriamento no âmbito dos acordos, teria retomado a atividade desde 2013, de acordo com imagens de satélite. As imagens mais recentes mostram a recuperação da atividade do reator principal do complexo nuclear.

Portanto, devemos temer a ameaça nuclear da Coréia do Norte? É bom lembrar que quem possui armas nucleares pode destruir seu próprio país, ao usá-las contra outro. Seja qual for o poder nuclear da Coreia do Norte, mesmo sendo uma ameaça para outros países, também é uma ameaça para ela mesma. A Coreia do Norte pode acabar adquirindo problemas diplomáticos acarretados por seu comportamento. Por se tratar de novas sanções consequentes de cada acordo quebrado.